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  • Casa da avó Rosa

Na lezíria do Ribatejo com o Alentejo à mesa


Cresci em Lisboa, com o coração sempre aconchegado nesta pequena aldeia ribatejana, noutros tempos elogiada como a "Sintra do Ribatejo". Não tenho memória das primeiras imagens. Sei que aqui fiquei pela primeira vez com pouco mais de um mês, embrulhada nos braços quentes da minha avó. E foi com esta avó Rosa e avô Artur que consolidei esta estranha mistura de sabores, ora ribatejanos, ora alentejanos. Cheia de tomate e alho, misturada com os feijões e cuscorões.

Por esta altura da Páscoa e ainda com as manhãs e entardeceres gelados, o fogão mantinha-nos quente a cozinha. Pela manhã, o meu avô deliciava-se com umas fortíssimas papas de milho acompanhadas de bacalhau assado em azeite e alho. Dizia ele que era

um dos segredos para não se constipar. O outro, que não assumia em voz alta, era nunca sair da cama antes da geada desaparecer por completo. Nesta época de frio era ainda comum a minha avó deliciar-nos com o seu Mangusto de bacalhau (ver receita). Uma mistura típica daqui onde se junta o bacalhau assado desfiado com papas de milho, feijão e couve. Pela tarde, juntavam-se as primas num fogão a lenha onde cada uma, à vez, cozia o pão de trigo para uns dias. Em tempos de festa entrava ainda um de milho, o meu favorito, com uma folha de couve e azeite no fundo. Uma mistura inesquecível!


Mangusto com bacalhau

Cozem-se as couves e o feijão catarino. Num tacho levar ao lume um fio de azeite com alho. Acrescentar aos poucos farinha de milho e a água das couves até ir formando a consistência ideal de uma papa. Juntar sal grosso. No final, juntar as couves e o feijão. À parte, assar postas de bacalhau (podem ser depois desfiadas, consoante o gosto) e regar com muito alho e azeite.

Acompanhar de uma das inúmeras opções de vinhos brancos do Tejo, que seguramente não o vão deixar ficar mal!



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